No automobilismo, conquistar bons resultados exige muito mais do que velocidade. Atenção, controle emocional, tomada de decisão e capacidade de adaptação são habilidades que fazem parte da rotina de um piloto dentro e fora da pista.
Aos 11 anos, Nicolas Souza já conhece bem os desafios desse esporte. Ele começou a correr aos 7 anos e, em 2026, participou do Campeonato Carioca de Kart e do Campeonato Estadual de Kart do Rio de Janeiro, conquistando o segundo e o primeiro lugar na classificação final, respectivamente.
Por trás desses resultados, também existe um processo de desenvolvimento mental que começou em julho de 2026, com o acompanhamento da 4Mind.
Resultados importantes e aprendizados pelo caminho
Nicolas avalia 2026 como um bom ano. Ao longo das etapas, conquistou primeiros lugares, enfrentou desafios e precisou se adaptar a diferentes situações de corrida. Além das competições no Rio de Janeiro, também participa do Circuito Paulista de Kart, em Birigui, conciliando diferentes campeonatos em sua temporada.
No Campeonato Carioca, a disputa pelo título foi decidida por apenas quatro pontos. Na última etapa, disputada sob chuva intensa, uma situação inesperada acabou influenciando o resultado.
Ao ser sinalizado com a bandeira de última volta, Nicolas se confundiu ao visualizar a bandeira quadriculada mais atrás na pista e acabou saindo antes de completar a prova conforme previsto. A situação o deixou chateado, e ele saiu da pista chorando.
A frustração era compreensível. Afinal, quando um piloto se dedica, treina e deseja conquistar um resultado, é natural que uma situação como essa desperte emoções intensas.
Sentir frustração não significa falta de preparo emocional. Muitas vezes, significa justamente que aquele objetivo é importante para o atleta.
O trabalho, naquele momento, não era fazer Nicolas deixar de sentir tristeza, mas ajudá-lo a compreender o que havia acontecido, acolher a própria reação e encontrar maneiras de seguir em frente.
Aprender a lidar com as emoções também faz parte do esporte
Na preparação mental, é importante compreender que as emoções fazem parte da experiência esportiva. Chorar após uma frustração, sentir ansiedade antes de uma corrida ou ficar insatisfeito com o próprio desempenho são respostas que podem acontecer, especialmente quando o atleta está aprendendo a lidar com as exigências da competição.

Por isso, o acompanhamento de Nicolas também envolveu conversas com ele e seus responsáveis, reforçando que suas reações emocionais eram compreensíveis diante daquela situação.
Ao longo desse processo, trabalhamos a possibilidade de olhar para o ocorrido de outra maneira. Em vez de permanecer preso à frustração, Nicolas foi incentivado a reconhecer o erro, aprender com ele e se preparar para situações futuras.
Uma das ideias que foram sendo construídas com ele é que, às vezes, é melhor conseguir rir do que aconteceu do que continuar chorando por algo que já não pode ser mudado. Isso não significa desvalorizar o que foi sentido, mas desenvolver a capacidade de olhar para a experiência com mais leveza e perspectiva.
Afinal, errar faz parte do processo de aprendizagem. O mais importante é compreender o que aconteceu, identificar o que pode ser ajustado e utilizar esse conhecimento nas próximas oportunidades.
Preparação mental dentro e fora da pista
Nicolas relata que o acompanhamento de preparação mental contribui para seu desempenho na pista, especialmente por meio de exercícios de respiração, estratégias de foco e recursos para lidar com a ansiedade.
Essas ferramentas fazem parte de um trabalho contínuo. A preparação mental não acontece apenas nos momentos que antecedem uma largada ou quando surge uma dificuldade. Ela envolve desenvolver autoconhecimento, reconhecer as próprias reações e aprender a responder de maneira mais funcional às diferentes situações da competição.
Outro aspecto importante é diferenciar aquilo que está sob nosso controle daquilo que não está.
Um piloto pode trabalhar sua concentração, sua preparação, suas decisões e a maneira como reage aos acontecimentos. Entretanto, nem todas as condições de uma corrida dependem dele. Aprender a reconhecer essa diferença ajuda a direcionar a atenção para o que realmente pode ser feito.
Esse processo também contribui para que o atleta desenvolva mais autonomia, confiança e capacidade de adaptação diante dos desafios.
O erro não define o piloto
No esporte, é comum que os resultados recebam grande atenção. Posições no pódio, tempos de volta e classificações são indicadores importantes, mas não representam, sozinhos, toda a evolução de um atleta.
O desenvolvimento também aparece na maneira como ele reage a uma adversidade, na capacidade de reconhecer um erro, na disposição para tentar novamente e na forma como transforma uma experiência difícil em aprendizado.
No caso de Nicolas, a situação vivida na última etapa do Campeonato Carioca se tornou uma oportunidade para trabalhar essas habilidades.
O objetivo não é formar um piloto que nunca sinta medo, ansiedade ou frustração. É contribuir para o desenvolvimento de um atleta que consiga reconhecer essas emoções, compreender o que elas sinalizam e utilizar recursos para continuar tomando decisões e aprendendo.
Porque o erro pode fazer parte da história de um piloto, mas não precisa definir quem ele é.
A preparação mental é um processo constante de desenvolvimento. Mais do que buscar resultados, ela ajuda o atleta a construir recursos para enfrentar os desafios do esporte e da vida, compreendendo que cada experiência pode oferecer uma nova oportunidade de aprendizado.
Na 4Mind, acreditamos que preparar a mente também é preparar o piloto para evoluir — em cada volta, em cada decisão e em cada recomeço.
Publicado com autorização dos responsáveis por Nicolas Souza.